7 da tarde e ainda não lavei os dentes

“Mãe, posso fazer uma tatuagem?”

Eu e o Raminhos fizemos a primeira tatuagem no mesmo dia, há dois anos e pouco. Quando chegámos a casa, a primeira reacção da Maria Rita foi de espanto: “Ena, que desenhos tão giros! Vão sair quando tomarem banho?”

Quando lhe explicámos que esses desenhos eram “para sempre” ela, que adora desenhar, disse que quando fosse grande queria fazer desenhos daqueles, que duram para sempre, “nos braços e nas pernas das pessoas”. “Em todo o lado”.

Há umas semanas, quando eu regressei ao estúdio para fazer a minha segunda tatuagem – e o Raminhos voltou para fazer a sua quarta! – ela quis ir connosco. Passou a tarde com a testa encostada ao vidro da janela do estúdio, a fazer decalques de tatuagens, do papel vegetal para uma folha, para depois colorir. Seguiu com atenção a evolução das nossas tatuagens e a certa altura, começou a tecer alguns comentários:

– “Mãe, posso fazer uma tatuagem?”

Podes, filha, mas só quando fores crescida.

– “Todos os crescidos têm tatuagens?”

Não, há pessoas que não têm.

– “A sério?! Como é possível serem crescidos e não fazerem tatuagens?!”

Então, há pessoas que não gostam e não fazem…

– “Mas isso é o mesmo que eu ter uma folha branca gigante e não querer fazer desenhos!”

 

5 comentários em ““Mãe, posso fazer uma tatuagem?”

  1. Marcia Rosado

    A Maria Rita até tem uma certa razão. – “Mas isso é o mesmo que eu ter uma folha branca gigante e não querer fazer desenhos!”

    beijinhos

  2. Maria Correia

    Adorei essa conclusão. Faz me pensar que algures no tempo a magia se perde enquanto crescemos. Sim, há quem não goste, mas faz me acreditar que quem gosta talvez veja a vida de forma diferente.

  3. Tânia Fernandes

    Adorei 😁😁 , a minha folha ainda está em branco , mas também ainda não houve um motivo para a desenhar já ! 😁
    Um beijinho 😘

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