7 da tarde e ainda não lavei os dentes

Não há sábado sem sol, domingo sem missa nem segunda que chegue depressa!

Passo muitos fins-de-semana sozinha com as três, e este foi – de longe – o mais cansativo. E até vos poupo do relato de sábado. Vamos focar-nos no domingo.

Depois de uma noite em que dormi mal à brava, a Maria Leonor acorda às 6h10. Dou-lhe o leite na esperança de que volte a dormir. Não volta. Desço com ela para não acordar as irmãs e começa a tortura do sono que consiste em andar – em modo zombie – atrás dela enquanto trepa aos móveis e escala o sofá trinta vezes seguidas, ainda o sol não nasceu.

7h15 desce a Maria Inês. “Mãe, não consigo dormir mais!” Então ficas aqui com a mana enquanto eu vou acabar de dormir, está bem? – e isto sou só eu a pensar, enquanto olho para a miúda, incrédula. Durante a semana é um martírio acordá-la às 8h!

Ainda não são 8h, vem a Maria Rita. “Mãe, podes fazer papas de aveia? Estou cheia de fome!”. Depois do pequeno-almoço, está tudo vestido e calçado e eu penso que o melhor é sairmos de casa para apanhar ar e passar na mercearia porque não há fruta.

Paro na pastelaria para beber café. Não tem em doses injectáveis? – e isto sou só eu a perguntar para dentro. Bebo o café tipo shot porque a pequenina começa a chorar. Agora é que lhe dá o sono…

Na mercearia, as mais velhas – que costumam portar-se tão bem e até me ajudam a escolher a fruta – andam loucas a correr e a gritar. Chamo-as à atenção. Ignoram-me. A pequenina não adormece e chora cada vez mais alto. As outras continuam loucas a correr e as velhotas da mercearia já bufam e olham de lado. Dá-me um vipe, meto umas bananas dentro de um saco e deixo o resto das compras para depois (para a ‘folga’ de segunda, provavelmente!). A minha ideia inicial, que era ir até ao parque, fica logo posta de parte. Não fiz mal a ninguém, por amor da santa! – e isto devo ter dito mesmo em voz alta porque a rapariga da caixa fica a olhar para mim com os olhos muito abertos.

Chegamos a casa. As duas mais velhas entram numa troca de galhardetes. Segue-se um rol de queixinhas, birras e o resto do filme vocês já conhecem. Pela primeira vez na vida tive de as separar. Uma fica cá em baixo, a outra lá em cima.

A pequenina dorme e reina o silêncio na casa. Finalmente! Aproveito para respirar fundo e vou para a cozinha adiantar o almoço.

“Mãe, vais fazer lasanha?”, pergunta a Maria Rita.

– Vou…

“É de legumes?”

-É.

“Eu prefiro de carne”, grita a outra lá de cima.

-Para a próxima faço de carne…

“Dizes sempre isso e fazes sempre de legumes”… nova birra. Subo. Enquanto converso com ela percebo que tem razão, que faço sempre de legumes, e escrevo uma nota mental: “para a próxima, fazer lasanha de carne”.

Almoçamos. Ainda não tinha acabado de comer a fruta (banana, porque não há mais nada…) a Maria Rita já está a dizer que está aborrecida. Filha, lembraste de termos conversado sobre como é bom fazer nada? “Isso é bom para os crescidos que estão cansados do trabalho. Eu sou criança e preciso de fazer coisas”.

Decido deixar a loiça como está, pegar nas três e ir dar uma volta na aldeia. A pequenina vai no triciclo e as mais crescidas levam o skate do pai. A Maria Inês, na segunda vez que anda, apoia mal o pé e aterra de joelhos. Vai tudo para casa desinfectar as feridas. Berros que eu sei lá de um lado, Maria Rita a prender o burro do outro…

Começo a desejar com todas as minhas forças que chegue a hora de deitar, enquanto olho para a mesa do almoço ainda por levantar. Mas ainda só são 15h e há banhos e jantar para dar. Passo! Desisto! Vou dormir – e isto sou só eu a dizer para dentro…

6 comentários em “Não há sábado sem sol, domingo sem missa nem segunda que chegue depressa!

  1. Carmen Nunes

    Olá Catarina, não desepere!!!
    É tão bom quando eles são pequenos e os podemos controlar debaixo dos nossos olhos.
    O tempo passa tao depressa e quando damos conta ja estão crescidos e o nosso desespero é maoir!!
    Exemplos ca de casa: mãe posso ir com os meus amigos para a Ericeira e depois vai me buscar às 2 da manhã??
    E lá fica a mãe a fazer horas para ir bucar o menino, enquanto o pai ressona no sofa.
    A miúda que que também ja entrou na adolescência : – mãe posso ir passear com os meus amigos depois das aulas???
    E lá está a mãe a fazer de taxi Ericeira/Mafra Mafra/ Ericeira.
    Por isso Catarina nao desespere que eles com a idade mudam, mas dormir como deve ser nunca mais.
    Beijinhos para vocês , são uma família muito gira.😍😍😍

  2. piskito

    Podia ser o relato de um dia cá em casa. O problema é que por aqui no Verão está tanto calor que nem dá para sair de casa, está-se mesmo a ver o que fazem 3 putos em casa todo o dia… Tamojuntas!

  3. Benedita

    Fiquei cansada só de imaginar cada cena desse dia 😄 por aqui com um casal de traquinas com 19 meses, também se imagina a correria :p mas pronto! No final do dia, quando já dormem olhamos para trás e tudo valeu a pena 😍

  4. Ana Lemos

    Tão bom já ter passado essa fase (e sobrevivi, Ufa!). Mas aviso que as “trocas de galhardetes” entre irmão vai continuar por… para sempre, pronto. Ponto 2: Adolescência. 😉

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *