7 da tarde e ainda não lavei os dentes

Tobias, o meu tio super-homem

Quando eu era pequenina, achava-o muito alto. E, mesmo quando ficava muitos meses sem o ver, recordava-o sempre com um sorriso nos lábios e um botão quase a saltar da camisa – as camisas do meu tio deixavam sempre muito pouco espaço para a barriga respirar…

Tobias, o meu tio bombeiro que, para mim, sempre teve uma boa dose de super-homem por salvar vidas. Uma vez, num passeio da escola primária à terra dele, apareceu no jardim onde estávamos a almoçar e eu achei mesmo que ele tinha super-poderes porque conseguia adivinhar coisas – sabia lá eu que os meus pais o tinham avisado de véspera! Lembro-me que me deu uma maçã e me levou, pela mão, a ver as flores que tinha estado a plantar.

Jardim dos meus tios. 1982. O meu avô, eu a fazer birra ao colo da minha mãe, a minha tia, a minha querida avó, a minha bisavó e o meu tio lá atrás

Quando falo dele, digo sempre que é “o meu tio jardineiro” – profissão que sempre achei ajustada à delicadeza com que nos recebe em casa, à doçura com que sempre falou connosco – desde o tempo em que ele me parecia muito alto até agora, que sou da altura dele.

Quando vou lá a casa, saio sempre com vasos de plantas e é a melhor prenda que ele me pode dar – e eu sei que ele gosta que eu os traga.

Tem um coração gigante, que de vez em quando nos prega uns sustos valentes a todos. Mas eu acho que ele vai usando os super-poderes e fico feliz por tê-lo por cá. Sobretudo, fico feliz por saber que as minhas filhas também têm um Tio Tobias na vida delas.

Tio Tobias e Maria Leonor

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