7 da tarde e ainda não lavei os dentes

‘Enraizar’ [ou a excepção que deveria ser a regra]

Não existem escolas perfeitas. Assim como não existem sistemas educativos perfeitos ou programas pedagógicos perfeitos. Mas a escola da Maria Rita é a mais perfeita que eu conheci até hoje.

É um descanso para o meu coração de mãe deixá-la todas as manhãs nesta casinha térrea de aldeia, aconchegada entre outras casinhas de aldeia, numa comunidade que é próxima.

Chama-se Enraizar e é maior do que a sua área em metros quadrados – porque cresce para fora. Privilegia a aprendizagem na rua e, faça chuva ou faça sol, aí vão eles aprender os números na areia de uma praia na Ericeira ou as letras no parque de merendas de uma associação cultural do concelho.

Não há lista de material escolar. Na folha, apenas três tópicos: um impermeável, umas galochas e um cantil – que agora já sabem para que servem…

Aqui, não há professores, mas antes tutores. As crianças sentam-se em mesas redondas e trabalham em grupos, mas sempre com o objectivo de alcançar a autonomia. Cada um aprende ao seu ritmo – sem pressa – e vai cumprindo as suas metas curriculares e avançando na “matéria”. Aprendem com a ajuda de materiais diferentes dos que estamos habituados a ver nas salas de aula “normais” – muitos, parecem brinquedos com os quais dá vontade de brincar – até a mim, quando entro na sala…

No pátio trepam, fazem bolos de terra que lhes deixam as unhas encardidas, balançam numa corda de um lado para o outro e improvisam brincadeiras numa sala que em tempos foi uma auto-caravana. Aprendem muito com os tutores. E aprendem muito uns com os outros.

Para uma miúda reservada como a Maria Rita tudo isto fez – e faz – diferença. Desde que entrou, há um ano, está mais extrovertida e muito mais feliz. E não uso esta palavra em vão. Aqui a brincadeira tem tempo e espaço para acontecer – e ter tempo e espaço para brincar torna uma criança naturalmente mais feliz. Não há volta a dar.

Espreitem o vídeo da Enraizar aqui e não me culpem se ficarem rendidos ao conceito! A boa notícia é que ainda há vagas 🙂

6 comentários em “‘Enraizar’ [ou a excepção que deveria ser a regra]

  1. Susana Henriques

    Parabéns pela coragem de permitirem que a vossa filha seja criança!! Como educadora de infância adorava trabalhar num local destes… se calhar, por isto não me ser permitido, acabei por desistir da minha área!
    Continuem a promover estes locais!

  2. Joana Sá

    Adorei…E confesso que fiquei roidinha de inveja por não puder ter assim a minha filha, numa escola que lhe premitisse um contacto maior com a natureza e com a brincadeira. Enraizar pensem em expandirem-se e vir aqui para o Matosinhos-Porto…
    beijinhos catarina e um especial para as suas traquinas 😀

  3. Ana Segurado Baptista

    Boa Tarde Catarina
    Desde já obrigado por me dar a conhecer esta escola com um conceito tão diferente daquilo que é considerado normal.
    Resido em Mafra e tenho dois filhos gémeos que estão no JI do Quintal, este será o ultimo ano que irão frequentar o jardim e até este momento a única alternativa que tinha era o ensino tradicional.
    Ao ler o seu post fiquei curiosa e gostaria de obter mais informações sobre esta escola, poderá ajudar-me nesse sentido?
    Desde já muito obrigado
    Ana Segurado Baptista

  4. Maria Rosa Silva Ferreira

    Parabéns por ter a coragem de colocar este conceito em prática, tão importante para as crianças e não só, de puderem ter o contato com a natureza e sua realidade. Sei dar o valor, porque a minha infância foi toda a brincar na rua e na terra. Ao longo da nossa vida esse contato da infância, nos projeta num vislumbre harmonioso com a nossa própria natureza. Devemos todos lutar por escolas
    com esta base. Obrigada pela iniciativa e bem hajam.

  5. Maria Ana Pulquério

    Fico fascinada com uma escola tão igual à minha infância. Cresci numa quinta, numa família alargada . Frequentei a escola da aldeia, mas brincava na natureza, subia às árvores, fazia bolinhos de barro e tinha casinhas de paus e pedras. Dói-me deixar os meus netos na escola, com um ensino que nada evoluíu desde essa época. Dói-me que passem o dia entre quatro paredes e não aproveitem o bom espaço exterior com árvores e sombras. Contudo, este ano, professora e educadora priveligiam a área relacional, sem pressas para os ditos trabalhinhos e TPCs, o que já é de louvar. Escolas com essa pedagogia deveriam crescer ao lado das tradicionais pois há muita insatisfação, simplesmente não há outra opção.

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