7 da tarde e ainda não lavei os dentes

1992 ou o ano dos R.E.M., da Dina e da Leopoldina

Ela vem devagarinho, mas vem para ficar. Refiro-me à pressão do tempo, aka “chiça, que estou mesmo velha!”

A mais recente dose chegou a semana passada, com a notícia de que os (meus) R.E.M acabam de lançar uma edição especial de “Automatic For the People” para assinalar os 25 anos da primeira edição do disco. 25 anos! Caraças, é um quarto de século!

Estes 25 bateram forte. Há 25 anos estávamos em 1992 e eu tinha 12 anos. Era uma criança gordinha, com os cabelos compridos aos canudos, que lia livros em barda e não percebia bem as notícias que chegavam. Ora falavam de um tal de “Estripador de Lisboa”, ora discutiam um tal tratado para a Europa – que só mais tarde, na escola, percebi que era importante.

Em 1992, éramos governados pela dupla Cavaco/Soares e mesmo assim arranjávamos ânimo para cantar, vezes sem conta, o “Amor de Água Fresca” que a Dina levou ao Festival da Canção.

As músicas dos Resistência lideravam a tabela nacional do Top Mais – enquanto o disco estrangeiro mais vendido era Nevermind, dos Nirvana.

Em 1992, eu e a maior parte daqueles que nasceram em 1980 – mais coisa menos coisa – viam “Os Melhores Anos”, o Agora Escolha e o Parabéns com o Herman, na RTP.

Nos anúncios, o Continente mostrava uma Leopoldina que ainda parecia uma avestruz e o “Marco Bellini é que sabe” só dava 20 vezes por hora.

Nascia o “terceiro canal”, a SIC, um porradão de borbulhas na minha testa e o “Automatic For the People”, de uns R.E.M que eu ainda não tratava por “tu”. Isso aconteceu dois anos mais tarde, com Monster, como já vos contei aqui.

25 anos. C’um catano.

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *