7 da tarde e ainda não lavei os dentes

E, de repente, já é Natal…

Tenho para mim que, no preciso momento em que acabamos de comer a última castanha no São Martinho, tudo se transforma em Natal.

Parece que estava ali, como que aflitinho para fazer xixi, à espera de entrar. E, assim que entra, tudo o resto deixa de existir. Porque é Natal.

Eu gosto do Natal e de quase tudo o que lhe diz respeito. Como quando era miúda, gosto de estar no escuro da sala de estar a olhar para as luzes da árvore a piscarem. Gosto das ruas bonitas e da festa em família. De fazer a árvore com o marido e as filhas. Do cheiro que vem da cozinha na consoada e daqueles presentes que não foram comprados à toa.

Não gosto da ida à caça das prendas ao shopping e de o fazer à última da hora – mas acabo todos os anos por cair nisso, irremediavelmente. Não gosto da solidariedade sazonal, porque as pessoas e as instituições não comem apenas no Natal.

E, sobretudo, não gosto que o Natal chegue e vá embora sem tocar um bocadinho que seja o coração das pessoas. E quanto a isso, continuo a esforçar-me (muito) para acreditar no Pai Natal.

Estamos praticamente a um mês do Natal. E esta, hein?

3 comentários em “E, de repente, já é Natal…

  1. Carla Alexandra Soares

    Porque adorei, vou comentar um pouco.
    Eu amo o Natal, se há pessoa na família cá de casa (somos 7 a contar com o marido e filha) sou eu.
    Primeiro tudo começa com um pequeno ritual desde miúda não se faz a árvore de Natal antes dos meus anos e dos da minha Mãe, ao outro dia de a minha mãe fazer anos (faz depois de mim) lá estou eu com o arsenal todo comigo e passo o dia basicamente a decorar tudo e mais alguma coisa. Antes num ritual com as minhas irmãs e agora com elas e a filhota. E básicamente é um ritual mágico. A noite, o meu pai lá nos ajuda a fazer um presépio que só ele sabe fazer, com direito a rio, fontes, pontes tudo e mais alguma coisa.
    O Natal neste dia sempre foi especial para mim, a mais velha de 3 irmãs que adorava ver o brilho nos olhos delas, agora com a filhota tudo se transformou ainda mais mágico.
    Há uns anos realizei um sonho antigo, no dia de Natal 25 de tarde, vestime de Pai Natal, peguei nos meus meninos da Juventude Cruz Vermelha uma ambulância e lá fomos nós numa tarde de frio destruir brinquedos as crianças carenciadas da zona que tínhamos assinaladas as famílias. E essa tarde fria, transformou se em muito calor. Em muito amor. Pode vir centenas mas esse nunca irá sair do meu coração. Tal como todos que tenho passado com a minha filha.
    Eu gosto de causas, de ajudar os outros, penso como tu Catarina e lutei durante muito tempo para que as instituições sejam lembradas durante o resto do ano mas é o que temos. Mas assim sendo aproveito para influênciar os que mais me rodeiam em ajudar. Em partilhar amor, a dar prendas solidárias onde o custo do presente reverte para uma IPSS sem fins lucrativos. É mais fácil falar com as pessoas nesta altura do ano para “dar” a roupa, os brinquedos, os cobertores tudo e mais alguma coisa que já não usam. Que estam ali só por estar a fazer volume. Mas atenção “dar” sem estar estragado.
    O Natal para mim sempre foi e sempre será amor, amor a nos próprios, aos nossos e aos próximos, para mim é Natal o ano inteiro mas sem doces tradicionais e decoração.
    Grande beijinho

    1. Catarina Fernandes Raminhos Autor

      Olá Carla,
      Gostei tanto de ler este seu comentário 🙂
      De facto, assim vale a pena ser Natal (e viver o Natal)!
      Um grande beijinho!

  2. Elisabete Barão

    Catarina Raminhos

    Adoro o seu blog, o nome acho o máximo, os conteúdos excelentes.
    Sempre que tenho um tempo livre, vou lá ver.
    Escreve muito, mas muito bem, adoro os seus textos, os temas, as causas, as fotos, tudo.
    As Marias, muitas vezes na Natureza, a brincar na terra, e com a terra, de louvar.
    Aquele enfeite de Natal com o pau de loendro e as prendinhas, cheira mesmo a Natal, uma maravilha.
    Um Bem Haja e Muitos Parabéns Catarina.

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