7 da tarde e ainda não lavei os dentes

O postal de Natal

Por estes dias, estava a receber o meu postal de natal – o mais bonito de todos era sempre o dela.

Comprava um selo a sério na papelaria, porque os da máquina dos correios eram fotocópias a cores mal-amanhadas e não estavam à altura da ocasião.

Escrevia o seu nome no destinatário com a letra mais bonita que conseguia fazer. Bem desenhada. Redondinha. E, ao escrever a morada, era como se eu própria me sentasse no banco do alpendre, de onde ela saía para ir ao encontro do carteiro, junto ao portão de ferro preto, com a serra verde ao fundo.

Carta nas mãos, sorriso nos lábios. E para mim esse momento era Natal.

Os anos passaram e os postais que escrevo agora têm os nomes das minhas filhas no remetente. Com letra bem desenhada. Redondinha. Têm outros destinatários, mas fazem-me sempre recordá-la.

Cresci, avó. Mas só sei sentir saudades tuas como criança.

Ia jurar que este estava entre os que enviei

Espero que o vosso Natal seja feito de bons momentos em família e de doces memórias de infância 🙂

4 comentários em “O postal de Natal

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